Alejandro - O Aluno Novo
Bom, vou começar me apresentando: meu nome é Eric, tenho 13 anos e desde criança já sabia que eu era diferente. Algo em mim me tornava diferente dos outros meninos da minha escola. Eu brincava normalmente com todos eles, mas sempre me sentia fora do padrão, eu gostava de coisas que nenhum dos outros meninos gostavam. Enquanto eles jogavam bola e empinavam pipa (ou papagaio, como dizem por aí), eu vivia vendo programas sobre moda. Minha prima e eu assistíamos Rebelde todos os dias. Quando eu tinha entre 8 e 10 anos, minha prima me deu um DVD da banda RBD. A partir daí, fui entendendo o que havia de errado em mim.
No começo eu não sabia o que eu era, eu ainda não conhecia as palavra "gay" e "homossexual", então eu simplesmente pensava que eu era "bicha" ou "viado", como os adultos diziam, mesmo achando esses termos um tanto ofensivos demais.
Cresci assim e, quando descobri o sexo e comecei a sentir desejo, percebi que todos os meninos só sentiam a mesma coisa por meninas, enquanto eu desejava meninos. Eu nunca contei essa história para ninguém, até porque, no começo, eu pensava que não era totalmente gay, já que nunca havia me apaixonado por garotos, apenas sentia desejo por eles.
Mas agora, em 2012, acho que isso está prestes a mudar (se é que ainda não mudou). Me lembro como se tivesse sido ontem: no dia 30 de janeiro, acordei com toda aquela agitação que todos nós temos no primeiro dia de aula. Aquela animação que todos têm em começar a usar o material completamente novo, conhecer alunos novos, rever os amigos e até mesmo os professores. Eu saí bem cedo de casa naquele dia, de tão animado. Quando cheguei na escola, cumprimentei todos que já estavam ali. Depois, Ágatha (minha amiga) e eu, ficamos sentados em um banco no jardim da escola, bem próximo ao portão, embaixo de uma árvore, para ver os alunos novos chegando. Ficamos quase 30 minutos sentados ali.
_Oi, vocês poderiam me ajudar? -- nos perguntou um garoto. Meu coração gelou naquele momento. Não sei porque, mas foi como se eu já o conhecesse a anos. E, mesmo me sentindo assim, eu não conseguia falar nada. Não me pergunte o porquê disso!
_Ah, claro! -- respondeu Ágatha, simpática como sempre. -- Em quê podemos ajudar?
_É que eu sou novo aqui e... bem, eu não sei onde fica a minha sala. -- respondeu ele, coçando sua nuca, mostrando sua timidez.
_Entendo. E em que sala você está? -- perguntou Ágatha, enquanto nós dois nos levantávamos para ajudar o garoto.
_Eu estou no... -- ele pegou um papel do bolso e leu alguma coisa. -- no 7º ano. -- cheguei a estremecer. Ele estava na minha sala. Aquele garoto que já era tão especial para mim, mesmo eu tendo acabado de conhecê-lo.
CONTINUAÇÃO - 08 de outubro de 2012 (segunda-feira, 03:22 horas)
_Olha que ótimo, somos da mesma sala! -- disse Ágatha, sorrindo.
_Sério? Poxa, que legal! -- ele também sorriu. -- Ah, me desculpem, não me apresentei. Meu nome é Alejandro.
_Eu sou Ágatha e ele -- ela apontou para mim enquanto Alejandro e ela trocavam um aperto de mão -- se chama Eric.
_Oi. -- disse ele, sorrindo para mim, e apertando minha mão.
_Ahn... Oi. -- foi difícil, mas consegui responder. -- Então... Vamos? -- perguntei aos dois.
_Ah, sim, vamos. -- responderam.
Fomos para a sala normalmente e, na noite daquele mesmo dia, enquanto voltava para a casa (eu estudo á tarde), me peguei sorrindo e pensando naquele garoto. Me lembrei daqueles olhos verdes me olhando, simpáticos, enquanto me cumprimentava, da maciez de sua mão, da sua pele incrivelmente clara e dos seus cabelos loiros e levemente ondulados (quase cacheados) brilhando ao sol. Desde aquele dia, não consegui parar de pensar nele. Eu sofria nos trabalhos em grupo, pois queria chamá-lo mas tinha vergonha. Na hora de formar duplas era a mesma angústia: a vontade de falar com ele, mas a vergonha de me aproximar dele.
Depois de 6 meses guardando esse segredo, eu não estava mais aguentando! Tinha a absoluta certeza do que sentia por Alejandro e precisava contar isso para alguém. Guardar para mim não era mais suficiente. Sendo assim, pensei: "Existe alguém melhor do que a minha melhor amiga para saber disso antes de qualquer um?"
Resolvi que contaria à Ágatha pelo MSN, já que eu não teria coragem de falar olhando nos seus olhos. Resumidamente, foi isso:
Eu digo:
Eeeeei Ágathaa, preciso falar com vc.
Ágatha diz:
Heeey! (:
Poode falar, oq ée?
Eu digo:
Boum... É q tipo, sabe o Alejandro?
Ágatha diz:
Aham, seei. Qq tem ele?
Eu digo:
Eu acho q eu to meio q gostando dele =s
Ela ficou quieta por longos minutos. 20 minutos depois, ela resolve responder:
Poode falar, oq ée?
Eu digo:
Boum... É q tipo, sabe o Alejandro?
Ágatha diz:
Aham, seei. Qq tem ele?
Eu digo:
Eu acho q eu to meio q gostando dele =s
Ela ficou quieta por longos minutos. 20 minutos depois, ela resolve responder:
Ágatha diz:
Entaum
Vc ée gay?
Eu digo:
Éeh, acho que sim
Mas pf, ñ conta p/ ngm! Eu sóo contei p/ vc pq eu sei q vc ñ vai contar.
Entaum
Vc ée gay?
Eu digo:
Éeh, acho que sim
Mas pf, ñ conta p/ ngm! Eu sóo contei p/ vc pq eu sei q vc ñ vai contar.
Naquela noite, conversamos muito, sobre tudo. Contei a ela sobre as vezes em que eu passava perto do Alejandro e ele me olhava pelo canto do olho e sorria, das vezes em que, no momento em que eu ia olhar para ele, percebia que ele estava me observando o tempo todo e nós dois sorríamos um para o outro. Ela me prometeu que nunca contaria nada para ninguém, a menos que eu pedisse, porque era minha amiga.
Durante todos os dias dos meses de agosto e setembro continuei tendo vergonha de falar com ele, mas pelo menos eu podia me abrir com a Ágatha. Era bom ter alguém com quem eu pudesse falar sobre isso.
CONTINUAÇÃO - 09 de outubro de 2012
(segunda-feira, 02:21 horas)
Na semana passada, a professora de artes, dona Luíza, mandou que fizéssemos um teatro. Poderíamos fazer qualquer coisa que quiséssemos, porém, com uma condição: ela iria sortear frases para cada grupo, e a nossa peça deveria conter aquela frase. A frase sorteada para meu grupo foi "Me espere!". Ela poderia ser dita de qualquer forma, mas tinha que estar lá.
(segunda-feira, 02:21 horas)
Na semana passada, a professora de artes, dona Luíza, mandou que fizéssemos um teatro. Poderíamos fazer qualquer coisa que quiséssemos, porém, com uma condição: ela iria sortear frases para cada grupo, e a nossa peça deveria conter aquela frase. A frase sorteada para meu grupo foi "Me espere!". Ela poderia ser dita de qualquer forma, mas tinha que estar lá.
Acho que me esqueci de comentar uma coisa: na hora de formar os grupos, é claro que ninguém nunca me quer. Eles reclamam, dizendo que isso é porque eu falo demais, mas eu não acho que seja isso. Na minha opinião, eles não gostam da minha sinceridade. Na minha sala, tenho pouquíssimos amigos, justamente por eu ser muito sincero. A maioria é falsa e finge gostar de todos, e acabam, como consequência, tendo amigos falsos. Eu optei por ser sincero, e ter amigos sinceros e que gostem de mim pelo que eu sou, e não pelo que eu finjo ser. E é exatamente por isso que eu sempre fico sobrando e acabo caindo em um grupo formado por alunos repetentes ou preguiçosos. Dessa vez eu estava disposto a fazer com que eles trabalhassem.
Inicialmente, o meu grupo era formado por sete pessoas: Carol (que estuda três horas por dia mas mesmo assim não consegue decorar a matéria), Larissa (que se contenta tirando 8,0, enquanto eu me esforço pra tirar um 11,5, se possível), Amanda (que não estuda), Fabiano (que tem capacidade mas acabou com tudo quando se misturou com o pessoal que se senta no fundo), Luíz Otávio (que também não estuda) e Eduardo (que não liga pra nada e só tira nota porque copia de outros na prova).
A semana passou normalmente, e na sexta-feira nós saímos ás 15:00hs, já que precisavam de tempo para arrumar as salas para as eleições. Alguns dias antes, tínhamos combinado de sair da escola e já ir direto para o centro. Minha mãe, muito coruja, combinou comigo que ás 16:00hs ela me pegaria em uma sorveteria que fica em uma esquina bem no meio da cidade, onde um velho rabugento e mal educado atende a todos desde quando eu nasci.
A semana passou normalmente, e na sexta-feira nós saímos ás 15:00hs, já que precisavam de tempo para arrumar as salas para as eleições. Alguns dias antes, tínhamos combinado de sair da escola e já ir direto para o centro. Minha mãe, muito coruja, combinou comigo que ás 16:00hs ela me pegaria em uma sorveteria que fica em uma esquina bem no meio da cidade, onde um velho rabugento e mal educado atende a todos desde quando eu nasci.
Quando entramos na sorveteria, minhas amigas e o Alejandro (que, de última hora, resolveu ir com a gente), formaram uma roda e ficaram conversando baixinho.
_O que houve? -- perguntei em voz baixa, entrando na roda.
_Nós achamos que aqui está muito caro. -- respondeu-me Ágatha. -- Estamos pensando em ir lá na Sem Nome. Lá tem mais variedades de sabores e o sorvete é bem mais barato.
_Ah gente, por mim tudo bem. -- respondi. -- Mas e se a minha mãe me xingar por eu sair do lugar onde eu disse que eu ia ficar?
Eles me ignoraram e foram. Percebi que Alejandro deixou que elas passassem na frente e depois esperou por mim.
_Você não vem? -- me perguntou ele. Aquela voz meio grave me fez acordar. Percebi que eu tinha me paralisado enquanto observava seus olhos verdes. Não respondi, apenas me movi, lentamente, para a frente e passei a andar ao seu lado.
De repente, tipo, do nada, ele começa a rir. Aqueles dentes brancos que eu amo!
_O que foi? -- perguntei, sem entender.
_Estou me lembrando aqui. Eu te cumprimentei só uma vez no começo do ano. Depois disso a gente nunca mais se falou.
_Ah, sim. -- respondi, rindo também. Percebi que ele tomava o cuidado de permanecer um pouco atrás das meninas, de modo que elas não pudessem ouvir o que dizíamos. -- Eu estava meio nervoso naquele dia.
_Nervoso?
_É, nervoso. Era como se eu já te conhecesse a anos, mas mesmo assim meu coração gelou. Eu não estava conseguindo falar direito.
_Achei que era só impressão minha! -- ele riu mais ainda, e eu o acompanhei, rindo ainda mais que ele. -- E eu também fiquei meio assim. -- eu observava os olhos dele enquanto ele falava. -- Eu entrei por aquela porta sem conhecer ninguém, mas quando eu te vi...
_Ah! -- gritei, interrompendo-o. Eu havia tropeçado em uma falha na calçada e, por impulso, me segurei nos ombros de Alejandro para TENTAR não cair, mas foi inútil. Eu caí do mesmo jeito, mas acabei o levando junto comigo. Fui direto com as costas no chão e ele caiu meio que de quatro em cima de mim: suas duas pernas do meu lado direito do corpo e uma mão de cada lado do meu corpo, as duas na direção dos meus ombros. Seu rosto parou a 15 cm do meu. Por um momento (cerca de 3 segundos) continuamos ali, imóveis, enquanto eu sentia o cheiro de seu hálito: pasta de dentes sabor menta. Depois, fui me levantando devagar, tendo em mente que minhas amigas estavam por perto, e elas interpretariam mal essa cena.
_Ah! -- gritei, interrompendo-o. Eu havia tropeçado em uma falha na calçada e, por impulso, me segurei nos ombros de Alejandro para TENTAR não cair, mas foi inútil. Eu caí do mesmo jeito, mas acabei o levando junto comigo. Fui direto com as costas no chão e ele caiu meio que de quatro em cima de mim: suas duas pernas do meu lado direito do corpo e uma mão de cada lado do meu corpo, as duas na direção dos meus ombros. Seu rosto parou a 15 cm do meu. Por um momento (cerca de 3 segundos) continuamos ali, imóveis, enquanto eu sentia o cheiro de seu hálito: pasta de dentes sabor menta. Depois, fui me levantando devagar, tendo em mente que minhas amigas estavam por perto, e elas interpretariam mal essa cena.
_Me desculpe. -- eu disse. Alejandro me estendeu sua mão. Eu a peguei e ele me ajudou a levantar. Eu sentia uma pequena dor nas costas, devido à queda.
_Pelo que está se desculpando? -- perguntou-me ele.
_Por ter te derrubado em cima de mim.
_Por ter te derrubado em cima de mim.
_Ah, por isso? Não se preocupe, eu sei que foi sem querer.
_Mesmo assim. -- insisti. Percebi que suas mãos tinham se arranhado um pouco. -- Cara, que droga, fiz você machucar as mãos. Desculpa mesmo. -- comecei a me sentir mais culpado ainda.
_Não foi nada. -- respondeu ele, com um sorriso meigo, provavelmente, para me acalmar. -- Se você não tivesse falado eu realmente nem teria visto, falando sério. -- ele deu um tapinha nas minhas costas.
_Uugh! -- gemi.
_O que eu fiz? -- perguntou ele, parecendo preocupado e tirando a mão no mesmo instante.
_Ahn... Minhas costas. Estão doendo um pouco, acho que por eu ter caído de costas.
_Vem, vamos. -- ele foi me puxando pela manga da minha camiseta (não de um modo violento, mas como se estivesse brincando) e atravessou a rua. -- As meninas já foram sem nós, então tempos tempo de pegar gelo pra colocar nas suas costas.
Ele me soltou. Eu tentei protestar mas ele não deixou, então entramos em uma locadora que, segundo ele, era de uma amiga de sua mãe. Ele apenas explicou tudo e já entramos em uma portinha. Em um frigobar, Alejandro pegou alguns cubos de gelo e colocou-os em um saco plástico. Depois, colocou o saquinho de gelo sobre a pia e já veio levantando minha camiseta.
_Pra que isso? -- perguntei, rindo e dando um passo para a frente.
_Não seja bobo! -- ele riu também. -- Cara, isso é só para que eu possa colocar o gelo no lugar onde estiver doendo.
_Ah, bom! -- respondi, rindo e voltando ao meu lugar de início.
_Uau! -- disse ele, parecendo assustado com o que viu em minhas costas. -- Tem uma mancha roxa do tamanho de uma laranja bem no meio das suas costas! -- e de repente ele coloca o gelo no hematoma, sem nem me avisar.
_Aaaah que gelado! -- exclamei, me contorcendo e me arrepiando todo. -- Cara, vai devagarinho!
_Haha, quer que eu vá devagarinho, é? -- ele me olhou por cima do meu ombro com um sorriso malicioso.
_Besta. -- respondi, e nós dois rimos.
_Bom, as meninas foram para a sorveteria e não nos chamaram. Eu cheguei aqui esse ano, nem sei onde fica essa tal de Sem Nome, mas você sabe, certo?
_Eu também não. Minha mãe quase nunca me deixa sair de casa, então eu só sei o caminho para a escola, e nada mais.
_Ah, então nós dois podíamos tomar sorvete naquela sorveteria cujo dono tem olhos azuis. O que acha?
_É uma boa ideia. -- respondi, rindo.
_Do que está rindo? -- perguntou-me ele, sem entender, mas já começando a rir também.
_De você, falando "cujo". Ninguém fala "cujo"! -- respondi, e nós dois rimos mais ainda.
_Mas enfim. Vamos andando pra sorveteria então, mas não coloca a camiseta, porque com ela não tem como deixar o gelo, né?
_Mas minhas mãos nem chegam no lugar onde tá doendo mesmo, não vou poder ficar segurando o gelo aí. De que adianta eu ficar sem camiseta?
_Eu te quebro esse galho, vai. -- ele sorriu, simpático.
_Bom... O.K. então. -- respondi, sem conseguir falar direito. Era impressão minha ou ele só estava querendo que eu continuasse sem a camiseta? Bom, acho que era só impressão mesmo.
Nós fomos para a sorveteria e ele foi segurando o gelo nas minhas costas.
_Vai querer sorvete de quê? -- perguntei ao Alejandro, já que ele só estava com uma mão livre e não poderia pegar o sorvete.
_Eu quero o de menta. -- respondeu ele. Estranhei, mas não comentei nada.
_Quantas bolas?
_Duas. -- respondeu ele, e logo depois já vi um sorrisinho malicioso crescendo pelo seu rosto. -- Hum... duas bolas. -- ele riu.
_Nossa, super puro e ingênuo você, né?! -- brinquei, rindo.
_Eu sou. -- concordou ele, desenhando uma auréola no ar, acima de sua cabeça e olhando para o alto, com um sorrisinho no rosto, se fazendo de anjo.
_Com esse cabelo enroladinho, até que parece um anjo mesmo. -- quando vi, já tinha falado. Eu ri para disfarçar a vergonha de tê-lo elogiado, mas ele pareceu não perceber nada e me acompanhou nos risos.
Enquanto comíamos, me surgiu uma curiosidade. Eu nunca havia comido sorvete de menta, e aí pensei: "será que é bom?".
_Que gosto tem esse sorvete de menta? -- perguntei, apontando, com a cabeça, na direção de seu sorvete.
_Tem gosto de menta ué, gosto de chiclete. É maravilhoso. -- ele deu um risinho.
_Nunca comi, mas parece bom. -- eu ainda estava analisando o sorvete.
_Quer um pouco? -- perguntou-me ele.
_Ah, eu quero. -- respondi. Eu achei que ele me deixaria pegar uma colher de seu sorvete, mas ele fez mais que isso. Ele mesmo pegou uma colher de sorvete e levou em direção à minha boca. Aquele dia estava ficando meio romântico, e eu acho que estava gostando disso.
Lentamente, Alejandro foi tirando a colher da minha boca (acho que para não me machucar) e depois ficou observando enquanto eu saboreava o sorvete.
_Hum, que delícia! -- comentei.
_Eu sabia que você ia gostar, é o meu sorvete preferido. -- ele riu.
_Eu e minha mãe preferimos o de flocos. Ela comeu muito sorvete de flocos quando estava grávida de mim.
_Ah, então é por isso que as suas costas são assim.
_Assim como?
_Super brancas e cheias de pintas.
_Minha avó também me diz isso. Na verdade o meu corpo inteiro é assim, só que ninguém vê o meu corpo inteiro , né? -- nós rimos.
CONTINUAÇÃO - 11 de outubro de 2012
(quinta-feira, 00:04 horas)
_Eu também não. Minha mãe quase nunca me deixa sair de casa, então eu só sei o caminho para a escola, e nada mais.
_Ah, então nós dois podíamos tomar sorvete naquela sorveteria cujo dono tem olhos azuis. O que acha?
_É uma boa ideia. -- respondi, rindo.
_Do que está rindo? -- perguntou-me ele, sem entender, mas já começando a rir também.
_De você, falando "cujo". Ninguém fala "cujo"! -- respondi, e nós dois rimos mais ainda.
_Mas enfim. Vamos andando pra sorveteria então, mas não coloca a camiseta, porque com ela não tem como deixar o gelo, né?
_Mas minhas mãos nem chegam no lugar onde tá doendo mesmo, não vou poder ficar segurando o gelo aí. De que adianta eu ficar sem camiseta?
_Eu te quebro esse galho, vai. -- ele sorriu, simpático.
_Bom... O.K. então. -- respondi, sem conseguir falar direito. Era impressão minha ou ele só estava querendo que eu continuasse sem a camiseta? Bom, acho que era só impressão mesmo.
Nós fomos para a sorveteria e ele foi segurando o gelo nas minhas costas.
_Vai querer sorvete de quê? -- perguntei ao Alejandro, já que ele só estava com uma mão livre e não poderia pegar o sorvete.
_Eu quero o de menta. -- respondeu ele. Estranhei, mas não comentei nada.
_Quantas bolas?
_Duas. -- respondeu ele, e logo depois já vi um sorrisinho malicioso crescendo pelo seu rosto. -- Hum... duas bolas. -- ele riu.
_Nossa, super puro e ingênuo você, né?! -- brinquei, rindo.
_Eu sou. -- concordou ele, desenhando uma auréola no ar, acima de sua cabeça e olhando para o alto, com um sorrisinho no rosto, se fazendo de anjo.
_Com esse cabelo enroladinho, até que parece um anjo mesmo. -- quando vi, já tinha falado. Eu ri para disfarçar a vergonha de tê-lo elogiado, mas ele pareceu não perceber nada e me acompanhou nos risos.
Enquanto comíamos, me surgiu uma curiosidade. Eu nunca havia comido sorvete de menta, e aí pensei: "será que é bom?".
_Que gosto tem esse sorvete de menta? -- perguntei, apontando, com a cabeça, na direção de seu sorvete.
_Tem gosto de menta ué, gosto de chiclete. É maravilhoso. -- ele deu um risinho.
_Nunca comi, mas parece bom. -- eu ainda estava analisando o sorvete.
_Quer um pouco? -- perguntou-me ele.
_Ah, eu quero. -- respondi. Eu achei que ele me deixaria pegar uma colher de seu sorvete, mas ele fez mais que isso. Ele mesmo pegou uma colher de sorvete e levou em direção à minha boca. Aquele dia estava ficando meio romântico, e eu acho que estava gostando disso.
Lentamente, Alejandro foi tirando a colher da minha boca (acho que para não me machucar) e depois ficou observando enquanto eu saboreava o sorvete.
_Hum, que delícia! -- comentei.
_Eu sabia que você ia gostar, é o meu sorvete preferido. -- ele riu.
_Eu e minha mãe preferimos o de flocos. Ela comeu muito sorvete de flocos quando estava grávida de mim.
_Ah, então é por isso que as suas costas são assim.
_Assim como?
_Super brancas e cheias de pintas.
_Minha avó também me diz isso. Na verdade o meu corpo inteiro é assim, só que ninguém vê o meu corpo inteiro , né? -- nós rimos.
Continuação - 24 / 10 / 2012
(quarta-feira, 04:03 hs)
(quarta-feira, 04:03 hs)
_Ei, porque a gente não vai para o shopping em Guaratinguetá? -- sugeri. -- Estamos à toa mesmo e ainda falta muito pra anoitecer.
_Ah, por mim tudo bem, mas e a sua mãe? Ela nunca ia deixar a gente ir pra outra cidade sozinhos.
_Ela pode levar a gente ué.
Liguei para a minha mãe e perguntei se ela poderia nos levar para o shopping. No começo ela estava com um pouco de preguiça, claro, mas depois de eu insistir muito, consegui convencê-la. Ela nos buscou na sorveteria e nos levou até o shopping. Chegando lá, ficou combinado que Alejandro e eu veríamos um filme no cinema e a minha mãe ficaria andando pelo shopping.
_Você vai ali e compra as entradas enquanto eu compro algo pra comer. -- eu disse a Alejandro, quando já estávamos em frente ao cinema do shopping. -- Como vai ser sua pipoca?
_Não como pipoca. -- respondeu ele. -- E nem gosto de refrigerante.
_É sério isso?! Eu também não gosto de pipoca e nem de refrigerante. Que coincidência!
_Então compra quatro barras de Diamante Negro, duas pra você e duas pra mim.
_Como sabe que eu gosto de Diamante Negro?
_Bom... -- ele coçou a nuca e olhou para o chão, como sempre fazia quando estava constrangido. -- É que uma vez eu ouvi você falando com a Ágatha sobre isso, quando ela te perguntou o que você queria de aniversário.
_Caramba! Meu aniversário é em maio. Estamos em outubro. Como conseguiu se lembrar de uma coisa tão insignificante por tanto tempo? -- perguntei, admirado, e ele apenas deu de ombros e foi para a fila dos ingressos, que estava bem menor que a minha, onde haviam mais umas 5 pessoas na minha frente.
Enquanto estava na fila, me lembrei de que a essa hora as meninas deveriam estar nos procurando e resolvi ligar para avisar onde estávamos.
_Cara, onde você está?! -- perguntou-me Ágatha, meio desesperada, quando liguei para ela. -- Estamos te procurando a um tempão, você e o Alejandro.
_Ágatha, adivinha! -- eu disse. -- Neste momento, eu estou no shopping, mais precisamente na frente do cinema, comprando chocolates para ver um filme com o Alejandro.
_Nossa velho, então é isso? Eu deveria ter desconfiado! Sou muito burra mano. -- respondeu ela, com aquele seu modo estranho de falar usando gírias em excesso. -- Mas e aí, o que vocês fizeram juntos pela cidade?
_Mais tarde eu te conto com detalhes Ágatha, só tem mais três pessoas na minha frente aqui na fila.
_Ah, O.K. então né. Mas manda um beijo pro Alejandro.
_Mando sim. Aaah, eu gosto tanto dele... -- suspirei. Ágatha apenas riu e desligou.
Quando levei minha mão ao bolso de trás da calça jeans para guardar o meu celular, acabei batendo o braço em alguém atrás de mim. Quando me virei para olhar, quase tive um infarto.
_Ah, oi! -- eu disse, arregalando os olhos, ao Alejandro, que estava parado, imóvel, com os braços paralelos ao corpo, tentando disfarçar um sorrisinho. -- Nem vi você chegando!
_Ótimo, a ideia era te assustar mesmo. -- respondeu ele, sorrindo gentilmente. -- Então... -- "ele descobriu!", pensei. Se ele estava lá, imóvel, quando fui guardar o celular, é óbvio que ele ouviu a última frase que eu disse. Merda, merda, merda! -- Você gosta tanto de quem? -- perguntou ele.
_An... Do... meu cachorro. É, é isso. Estávamos falando do meu cachorro.
_Seu cachorro? Porque a Ágatha mandaria um beijo,para o seu cachorro, logo depois de você dizer que estava no cinema comigo? Não faz sentido! -- ele riu.
_Você vai ali e compra as entradas enquanto eu compro algo pra comer. -- eu disse a Alejandro, quando já estávamos em frente ao cinema do shopping. -- Como vai ser sua pipoca?
_Não como pipoca. -- respondeu ele. -- E nem gosto de refrigerante.
_É sério isso?! Eu também não gosto de pipoca e nem de refrigerante. Que coincidência!
_Então compra quatro barras de Diamante Negro, duas pra você e duas pra mim.
_Como sabe que eu gosto de Diamante Negro?
_Bom... -- ele coçou a nuca e olhou para o chão, como sempre fazia quando estava constrangido. -- É que uma vez eu ouvi você falando com a Ágatha sobre isso, quando ela te perguntou o que você queria de aniversário.
_Caramba! Meu aniversário é em maio. Estamos em outubro. Como conseguiu se lembrar de uma coisa tão insignificante por tanto tempo? -- perguntei, admirado, e ele apenas deu de ombros e foi para a fila dos ingressos, que estava bem menor que a minha, onde haviam mais umas 5 pessoas na minha frente.
Enquanto estava na fila, me lembrei de que a essa hora as meninas deveriam estar nos procurando e resolvi ligar para avisar onde estávamos.
_Cara, onde você está?! -- perguntou-me Ágatha, meio desesperada, quando liguei para ela. -- Estamos te procurando a um tempão, você e o Alejandro.
_Ágatha, adivinha! -- eu disse. -- Neste momento, eu estou no shopping, mais precisamente na frente do cinema, comprando chocolates para ver um filme com o Alejandro.
_Nossa velho, então é isso? Eu deveria ter desconfiado! Sou muito burra mano. -- respondeu ela, com aquele seu modo estranho de falar usando gírias em excesso. -- Mas e aí, o que vocês fizeram juntos pela cidade?
_Mais tarde eu te conto com detalhes Ágatha, só tem mais três pessoas na minha frente aqui na fila.
_Ah, O.K. então né. Mas manda um beijo pro Alejandro.
_Mando sim. Aaah, eu gosto tanto dele... -- suspirei. Ágatha apenas riu e desligou.
Quando levei minha mão ao bolso de trás da calça jeans para guardar o meu celular, acabei batendo o braço em alguém atrás de mim. Quando me virei para olhar, quase tive um infarto.
_Ah, oi! -- eu disse, arregalando os olhos, ao Alejandro, que estava parado, imóvel, com os braços paralelos ao corpo, tentando disfarçar um sorrisinho. -- Nem vi você chegando!
_Ótimo, a ideia era te assustar mesmo. -- respondeu ele, sorrindo gentilmente. -- Então... -- "ele descobriu!", pensei. Se ele estava lá, imóvel, quando fui guardar o celular, é óbvio que ele ouviu a última frase que eu disse. Merda, merda, merda! -- Você gosta tanto de quem? -- perguntou ele.
_An... Do... meu cachorro. É, é isso. Estávamos falando do meu cachorro.
_Seu cachorro? Porque a Ágatha mandaria um beijo,para o seu cachorro, logo depois de você dizer que estava no cinema comigo? Não faz sentido! -- ele riu.
Continuação - 21 / 11 / 2012
(quarta-feira, 02:00 hs)
_Bom, enfim. -- eu disse, tentando mudar de assunto o mais rápido possível. -- Vamos pra fila?
_Sim, vamos. -- eu disse.
Entramos na sala e nos sentamos na última fileira, lá no fundo, porque nós dois odiamos pessoas chutando as nossas costas durante o filme.
Alejandro se sentou do meu lado direito e logo, logo o filme começou. Não gosto nem de pronunciar o nome, mas era terror. No começo do filme, enquanto prestávamos muita atenção, resolvi apoiar o meu braço direito, com o qual eu segurava meu Diamante Negro, no braço da cadeira, sem perceber que Alejandro já estava com o braço lá.
_Ah, desculpa. -- disse ele, enquanto eu tirava meu braço. -- É que eu sou canhoto. Mas ah, ninguém tá vendo, pode ficar com o braço aí mesmo.
_Ah, okay então. -- respondi.
O filme foi passando, nas horas em que tinha medo, acabava, por impulso, apertando o braço de Alejandro, que só ria. Eu já havia acabado meu chocolate. Até que chegou uma parte em que eu, sem querer, acabei apertando a mão de Alejandro. Aquela pele macia me tocando novamente...
Por alguns segundos, ficamos nos encarando, olhando nos olhos um do outro. Novamente me vi perdido, encantado pelos seus olhos verdes. Eles pareciam querer me dizer algo, por mais estranho que isso possa parecer. Meio que inconscientemente, Alejandro cruzou seus dedos nos meus e voltamos a ver o filme. Nenhum dos dois falou nada, não sabíamos o que aquilo significava. Apenas continuamos a ver o filme. No final, ele infelizmente soltou a minha mão e nós saímos da sala. Ele me pagou um sorvete e depois encontramos minha mãe na praça de alimentação. Ela acabou levando Alejandro para a nossa casa, e de lá ele poderia ir embora. Quando chegamos, Ágatha já esperava cochilando na calçada, sentada. Bom, na verdade, ela estava meio que jogada na calçada, não estava deitada mas também não estava sentada. Era a visão de uma pessoa que acampa numa fila para um show. Ou então uma mendiga. Ágatha acordou com as risadas da minha mãe, do Alejandro e minhas.
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